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janeiro 19, 2015

Por que oferecer coco?

Na Índia, uma das oferendas mais comuns em templos é o coco. Ele também é oferecido em ocasiões como casamentos, festivais, ao usar um novo veículo, uma nova ponte ou construção. Ele é oferecido ao fogo sacrificial quanto é realizada a homa. O coco é aberto e oferecido diante do Senhor, posteriormente é distribuído como prasaada.
A fibra que recobre o coco seco é removida com exceção da porção que recobre o topo. As marcas naturais do coco o tornam parecido à cabeça humana. O coco é quebrado como símbolo de se quebrar o ego. A água interna representa as tendências interiores (vaasanas) e é oferecida junto da polpa branca (representando a mente) ao Senhor.
A mente agora purificada pelo toque do Senhor é usada como prasaada (dádiva sagrada). No ritual tradicional chamado abhishekha que é realizado em todos os templos e em muitas casas, em que diferentes tipos de materiais são derramados sobre as deidades como: leite, coalhada, mel, água de coco verde, pasta de sândalo, cinza sagrada, etc. Cada material tem um significado especifico para prover certos benefícios para os adoradores. A água do coco verde é usada nos rituais abhisheka, pois se acredita que traga crescimento espiritual aos buscadores.
O coco também simboliza o serviço abnegado. Todas as partes do coqueiro – o tronco, folhas, frutos, etc- é usada em inumeráveis formas como telhado de palha, esteira, iguarias culinárias, óleo, sopas, etc. Ele transforma a água salgada do solo em uma água doce e nutritiva que é especialmente benéfica para pessoas enfermas. É usada no preparo de muitos remédios ayurvédicos e de outros sistemas alternativos de medicina.
As marcas no coco representam os três olhos do Senhor Shiva e por isso, é considerado um meio de obter a satisfação dos desejos.

janeiro 18, 2015

Por que dizer shanti três vezes?

Shanti significa “paz”, é um estado natural de ser. Distúrbios são criados tanto pelos outros quanto por nós mesmos. Por exemplo, a paz já existe em um determinado lugar, até que alguém comece a fazer barulho.
Além disso, a paz está acima de toda a nossa agitação. Quando a agitação termina, a paz é naturalmente estabelecida, já que originalmente já estava lá. Onde há paz, há felicidade. Assim, todos sem exceção desejam ter paz em suas vidas.
No entanto, a paz interior ou exterior parece ser muito difícil de ser alcançada porque é encoberta pelas nossas agitações. São raros aqueles que permanecem em paz mesmo em meio a problemas e agitação externa. Para invocar a paz, cantamos orações. Ao cantar orações, os problemas terminam e a paz é vivenciada internamente, independente das perturbações exteriores. Todas as orações deste tipo terminam por cantar shaanti três vezes.
Acredita-se que trivaram satyam – aquilo que é dito três vezes torna-se verdade. Para enfatizar um detalhe, o repetimos três vezes. No tribunal de justiça, aquele que faz o juramento diz, “eu direi a verdade, somente a verdade, e nada mais que a verdade”.
Nós cantamos shaanti três vezes para enfatizar o nosso desejo intenso pela paz. Todos os obstáculos, problemas e tristezas têm origem em três fontes:
Aadhidaivika: As forças Divinas invisíveis sob as quais possuímos pouco ou nenhum controle, como terremotos, inundações, erupções vulcânicas, etc.
Aadhibhautika: Os fatores conhecidos ao nosso redor, como acidentes, contatos humanos, poluição, crime, etc.
Aadhyaatmika: Nós oramos sinceramente ao Senhor para que, ao menos enquanto executamos algumas tarefas especiais ou em nossa vida diária, não haja problemas, ou que sejam minimizados nas três fontes citadas acima.
Que apenas a paz prevaleça. Portanto, shaanti é cantado três vezes.
É cantado em voz alta na primeira vez, direcionando às forças invisíveis. É cantado de forma mais suave na segunda vez, direcionando às nossas imediações, e na terceira vez, de forma mais suave ainda, direcionado a nós mesmos.

janeiro 17, 2015

Por que soprar a concha?

Quando a concha é soprada, o som primordial do OM é emanado. O OM é um som auspicioso que era produzido pelo Senhor antes de criar o mundo. Ele representa o mundo e a Verdade por trás dele.
Diz a história que, o demônio Shankhaasura venceu os devas nosVedas e foi ao fundo do oceano. Os devas procuraram o Senhor por socorro. Ele encarnou como MatsyaAvataara, a encarnação do peixe, e matou Shankhaasura. O Senhor soprou o osso em forma de concha de seu ouvido e cabeça. O som OM emanou do qual emergiram os Vedas. Todo o conhecimento eternizado no Vedas é uma elaboração do OM. Sendo assim, a concha é conhecida como shankha por causa de Shankaasua. A concha soprada pelo Senhor é chamada Paanchajanya, Ele a carrega o tempo todo em uma de Suas quatro mãos.
Ela representa o dharma ou retidão, que é um dos quatro objetivos (purushaarthas) da vida. O som da concha é, conseqüentemente, o brado de vitória do bem sobre o mal.
Outro conhecido propósito de se soprar a concha e os instrumentos, tradicionalmente conhecidos por produzirem sons auspiciosos, é o de afogar ou mascarar comentários e barulhos negativos que podem, eventualmente, atrapalhar ou incomodar o ambiente ou as mentes dos adoradores.
A Índia Antiga vivia em seus vilarejos. Cada vilarejo era presidido por um templo primário e uma série de templos menores. Durante o aarati realizado após importantes poojas e em ocasiões sagradas, a concha costumava ser soprada.
Uma vez que os vilarejos eram originalmente pequenos, o som da concha podia ser ouvido por toda a comunidade. Aqueles que não podiam ir até o templo eram lembrados de parar o que estivessem fazendo, ao menos por alguns segundos, e mentalmente reverenciar o Senhor. O som da concha servia para rapidamente elevar a consciência das pessoas a um momento de oração, ainda que no durante suas atribuladas rotinas cotidianas.
A concha é colocada no altar em templos e lares junto ao Senhor como um símbolo de Naada Brahma (Verdade), Vedas, OM, dharma, vitória e festividade. É geralmente utilizada para oferecer thirtha (água santificada) aos devotos a fim de elevar sua consciência a mais alta Verdade. É adorada com o seguinte verso:

Twampuraasaagarotpannaha
Vishnunaavidhrutahakare
Devaischapoojithasarvahi
Panchjanyanamostu te

Saudações a Panchajanya
A concha nascida do oceano
Nas mãos do Senhor Vishnu
E adorada por todos devaas

janeiro 16, 2015

Por que os hindus adoram a tulasi?

Em Sânscrito, tulanaa naasti athaiva tulasi – aquilo que é incomparável (em suas qualidades) é o tulasi.
Para os indianos esta é uma das plantas mais sagradas. Na verdade, ela é conhecida como a única coisa que pode ser usada para adoração e depois pode ser lavada e re-usada em um pooja – pois é considerada auto-purificadora.
Há uma lenda que Tulasi era a devotada esposa de Shankhachuda, um ser celestial. Ela acreditava que o Senhor Krishna a havia enganado para que ela pecasse. Então ela o amaldiçoou para que Ele se tornasse uma pedra (shaaligraama). Vendo sua devoção e seu bom comportamento, o Senhor a abençoou dizendo que ela se tornaria a planta adorada, tulasi que Ele usaria para adornar sua cabeça.
Além disso, todas as oferendas seriam incompletas sem a folha do tulasi – daí a adoração do tulasi.
Esta planta também simboliza a Deusa Lakshmi, a consorte do Senhor Vishnu. Aqueles que desejam ser virtuosos e ter uma vida em família feliz adoram a tulasi.
Tulasi é casada com o Senhor com toda a pompa e festividade como em qualquer casamento.
Isto porque, de acordo com outra lenda, o Senhor a abençoou para que ela fosse Sua consorte. Satyabhama uma vez pesou o Senhor Krishna contra toda a sua lendária fortuna. A balança não se moveu até que uma única folha de tulasi foi colocada junto com a fortuna na balança por Rukmini, que o fez com muita devoção.
Desta maneira a tulasi desempenhou o papel vital de demonstrar ao mundo que mesmo um pequeno objeto ofertado com devoção significa mais para o Senhor que toda a riqueza do mundo.
A folha da tulasi possui grande valor medicinal e é usada para curar várias enfermidades, incluindo o resfriado comum.

Yanmule sarvatirhaani
Yannagre sarvadevataa
Yanmadhye sarvavedaascha
Tulasi taam namaamyaham

Eu reverencio a tulasi, em cuja base
se encontra todos os locais sagrados, 
em cujo topo residem todas as Divindades e
em cujo meio estão todos os Vedas.

janeiro 15, 2015

Por que o lótus é tão especial?

O lótus é o símbolo da verdade, auspiciosidade e beleza (Satyam, Shivam Sundaram). O Senhor é também dessa natureza e, portanto, seus vários aspectos são comparados com uma flor-de-lótus (ou seja, olhos, pés, mãos de lótus, o lótus do coração, etc.)
O lótus floresce com o nascer do sol e se fecha à noite. Da mesma forma, nossa mente se abre e expande com a luz do conhecimento. A flor-de-lótus cresce mesmo em áreas lamacentas. Ela permanece bela e imaculada apesar das redondezas onde vive, lembrando-nos que nós também podemos e devemos lutar para permanecer puros e belos interiormente, em todas as circunstâncias.
A flor-de-lótus nunca fica molhada, mesmo estando sempre na água. Ela simboliza o homem de sabedoria (gyaani), que permanece sempre alegre, não sendo afetado pelo mundo de tristeza e mudanças. Isto é revelado no shloka no Bhagavad Gita:

Brahmanyaadhaaya karmaani
Sangam tyaktvaa karoti yaha
Lipyate na sa paapena
Padma patram ivaambhasaa

Aquele que pratica ações, ofertando-as à Brahman (o Supremo), abandonando o apego, não é contaminado pelo pecado,
assim como um Lótus permanece intocado pela água.
A partir disso, nós aprendemos que, o que é natural para o homem de sabedoria, torna-se uma disciplina a ser praticada por todos os saadhakas ou buscadores espirituais e pelos devotos.
Nossos corpos têm centros de energia descritos nos Yoga Shaastras como chacras. Cada um está associado com uma flor-de-lótus que tem um número de pétalas. Por exemplo, uma flor-de-lótus com mil pétalas representa o chakra no topo da cabeça (Sahasra), que se abre quando o iogue alcança a Divindade ou Realização.
Além disso, a postura de lótus (padmaasana) é recomendada quando se sentar para praticar a meditação. Um Lótus surgiu do umbigo do Senhor Vishnu. O Senhor Brahma foi originado a partir dele para criar o mundo. Assim, o lótus simboliza a ligação entre o criador e a Causa suprema.
Ela também simboliza Brahmaloka, a morada do Senhor Brahma. O símbolo auspicioso suástica é dito ter evoluído a partir do Lótus.


janeiro 14, 2015

Por que os hindus adoram a Kalasha?

Primeiro de tudo o que é uma Kalasha? É um pote de barro, bronze ou cobre que é preenchido com água. Folhas de mangueira são colocadas na boca do pote e um coco é colocado sobre ele. Uma fita vermelha ou branca é amarrada ao redor do pote ou às vezes ao seu redor de tudo (pote e coco), tomando uma intrincada forma de diamante. O pote pode ser decorado com desenhos. Esse pote é conhecido como uma kalasha.
Quando o pote é cheio com água ou arroz, ele é conhecido como purnakumbha representando o corpo inerte pelo qual, quando preenchida com a força de vida Divina, ganha o poder de fazer todas as coisas maravilhosas que faz a vida ser o que é.
Uma Kalasha é elaborada com os devidos rituais em todas as ocasiões importantes, como o tradicional “aquecimento da casa” (grihapravesa), casamentos, adorações diárias, etc. É colocada perto da entrada como um sinal de boas-vindas. É também usada, de uma maneira tradicional, quando se recebe figuras santas.
Por que adoramos a Kalasha? Antes da criação tomar forma, o Senhor Vishnu estava deitado em sua cama de cobra no oceano de leite. De seu umbigo emergiu uma flor-de-lótus da qual apareceu o Senhor Brahma, o Criador, que depois criou este mundo. 
A água na Kalasha simboliza a água primordial da qual toda a criação emergiu. Ela é o doadora de vida para todos e tem o potencial de criar inumeráveis nomes e formas, os objetos inertes e os seres sencientes e tudo o que é auspicioso no mundo, através da energia por trás do universo. As folhas e o coco representam a criação. A fita representa o amor que "liga" todos na criação. A kalasha é, portanto, considerada auspiciosa e adorada. As águas de todos os rios sagrados, o conhecimento de todos os Vedas e as bençãos de todas as deidades são invocadas na Kalasha e sua água é posteriormente usada para todos os rituais, incluindo o abhisheka.
A consagração de um templo (kumbhaabhisheka) é feita de uma forma geral com rituais elaborados, incluindo o derramamento de uma ou mais kalashas de água benta na parte superior do templo. 
Quando os asuras e devas agitaram o oceano de leite, o Senhor apareceu trazendo a pote de néctar, com o qual abençoou os seres com a vida eterna. Assim, o Kalasha também simboliza a imortalidade. 
Homens de sabedoria são cheios e completos à medida que eles se identificam com a Verdade infinita (poornatvam). Eles enchem com alegria, amor e respeito tudo o que é auspicioso. Nós os saudamos com uma purnakumbha ("pote cheio") reconhecendo sua grandeza e como um sinal de respeito e reverência de boas vindas, com um "coração cheio".

janeiro 13, 2015

Por que tocar sino nos templos?

Será para acordar o Senhor? Mas o Senhor nunca dorme. Será para avisar o Senhor que nós chegamos? Ele não precisa ser avisado, já que ele sempre está sabendo. Será uma forma de procura de permissão para entrar em seu recinto? Trata-se do regresso à casa e então a entrada não exige permissão. O Senhor nos dá as boas-vindas todo o tempo. Então porque nós tocamos o sino?
O tocar do sino produz o que é tido como um som auspicioso. Ele produz o som OM, o nome universal do Senhor. Deve haver auspiciosidade por dentro e por fora, para ganhar a visão do Senhor que é todo auspicioso.
Até durante o ritualístico aarati, nós tocamos o sino. Às vezes ele é acompanhado pelos sons auspiciosos da concha e outros instrumentos musicais. Um significado adicional de tocar o sino, concha ou outro instrumento é que eles ajudam a abafar qualquer ruído não auspicioso ou irrelevante e críticas que podem perturbar ou distrair os adoradores em seus ardores devocionais, sua concentração e paz interna.
Ao começar a adoração ritualistica diária (pooja) nós tocamos um sino cantando:

Aagamaarthamtu devaanaam
gamanaarthamtu rakshasaam
Kurve ghantaaravam tatra
devataahvaahna lakshanam

Eu toco este sino indicando
A invocação do divino,
De forma que a virtude e forças nobres
Entrem (em minha casa e meu coração);
E as forças demoníacas e más
De dentro e fora, partam.
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